Das coisas que mais me atraem, estão as pessoas e o que elas pensam. Poderia ser uma perda de tempo? Sim, poderia. Mas perdemos temos com tantas outras coisas que fazemos sem prazer... Uma a mais, uma a menos, não seria inadimissível.
Sou humana, tenho que errar. As vezes errar chega a beira de uma arte, outras, burrice. Em qualquer circunstância, arriscamos sem saber o grau de risco da cuja arte que também poderia ser burrice.
Certas histórias são quase enigmas para decifrar. E nós, os humanos conseguimos fazer isso melhor do que outros seres. Deveríamos aplaudir quando conseguimos alguma coisa que pensamos que fosse difícil até antes de consegui-la. Ficaríamos com fama de loucos, mas não tentaríamos fazer com que isso seja, uma realidade próxima de nós. Ouço dizer para não levar nada tão a sério. Não levaremos nossas tecnologias e outros pertences para dentro do nosso futuro túmulo. Mas se restasse os pensamentos, esses sim nós poderíamos guardar para sempre, ao menos que você caia e bata a cabeça no chão. Porém, mesmo assim você corre o risco de lembrar de algo, alguns anos distantes da vida de agora.
Já perceberam que nenhum dia é igual a outro? Ninguém nunca fala as mesmas coisas e faz os mesmos atos no mesmo segundo, minuto, hora do dia anterior. Alguns tentaram, outros fingiram conseguir.
De qualquer forma, eu tenho certeza de que nunca entenderei esses ''malucos'', identificados como seres humanos.
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sexta-feira, 12 de setembro de 2014
Conversa de psicólogo
quinta-feira, 11 de setembro de 2014
Flor de cerejeira/cherry blossom
Era só mais uma tarde com sol entre nuvens. Eu estava sentado em uma cadeira de balanço da minha avó, que deixara para mim desde sua morte. Com o impulso dos meus pés a cadeira balançava para cá e para lá e quando parava, eu retornava a fazer a mesma coisa até que a cadeira balançasse mais uma vez.
As minhas pálpebras caíam e eu não conseguia impedir. Teria mais um sono profundo sem sonhos e pesadelos, mas nesse momento eu escutei uma voz, mas não sabia se era realidade ou delírio.
Abri os olhos e esperei a voz falar algo novamente. Passou-se três minutos em um silêncio esperançoso. A voz se calou. Deveria ser um sonho ou talvez um pesadelo.
Voltei a fechar os olhos e respirei fundo, alguns minutos se passaram e a voz me chamou outra vez. Dessa vez eu pude ouvir claramente. Era uma voz doce e calma de uma menina, talvez uma mulher.
Decidi me levantar e sem piscar os olhos,fui até a porta. Quando eu abri, lá estava a figura de uma garota que aparentava ter saído da adolescência. Ela tinha um vestido azul que brilhava sem ter nenhum brilho. Seu cabelo negro e curto caía sobre os olhos verdes.
Ela sorria e dizia:
- Olá senhor,gostaria de comprar alguma fragância?
Enquanto meus pulmões se enchiam de ar, pude sentir uma fragrância de maçã. Na verdade, poderia ser morango. Não conheço muito sobre aromas. Eu estava tão concentrado em tentar descobrir qual era o aroma que estava entrando e saindo de minhas narinas que não sabia formular uma resposta.
Rapidamente lembrei que estava diante de uma menina que tinha me perguntado alguma coisa. E então lhe disse:
- Desculpa,o que você disse?
Ainda sorridente, a menina disse:
- Eu perguntei se o senhor gostaria de comprar alguma fragrância.
Dessa vez, eu não hesitei em dizer:
- Eu não conheço muito sobre fragrâncias,mas fiquei interessado em comprar algum frasco. Você poderia me aguardar? Vou buscar a minha carteira.
Isso foi uma desculpa para que eu fosse até a cozinha e respirar. A menina era diferente, tão diferente e tinha um cheiro tão... Tão agradável. Meus dedos correram sobre a mesa e pelas cadeiras de madeira.
Quando finalmente tomei alguma coragem, voltei até a porta. A menina não estava lá. Tinha deixado aquele cheiro misterioso que me deixava trêmulo sem ter frio.
Ao fechar a porta, ouço novamente uma voz:
- Essa cadeira me lembra a minha avó. Ela tinha uma igual.
Eu estava surpreso que se misturava com um medo espontâneo. Ela estava sentada na cadeira de balanço.
Enquanto eu a via balançando, observava seus pés pequenos encostando no chão e saindo dele. De repente, ela ficou com um ar mais sério e tornou a falar:
- Desculpa. Eu não devia ter entrado na sua casa sem te avisar.
Eu a respondo sorrindo:
- Não se preocupe. E então, quais são os tipos de fragrâncias a senhorita vende?
Ela se levanta devagar e senta no sofá. E então diz com sua voz tão doce quanto sua fragrância:
- Você poderia vim aqui? Eu te mostrarei.
Eu apresso os meus passos como se não tivesse controlando as minhas pernas e sento ao lado dela.
Quando olho bem profundamente nos olhos dela, vejo uma alegria e uma profunda tristeza. Ficamos nos olhando por alguns segundos que pareciam horas e horas, dias e dias. Uma garrafinha cai de sua bolsa e quebra no chão. Ela parecia ter ficado corada e diz:
- Desculpa, senhor. Eu posso limpar isso.
Eu a olho sem saber se dava risada ou se corria para abraça-la. Poderia ser estranho, mas tinha vontade de abraça-la naquele momento. Eu não fiz nenhuma das duas coisas, eu somente disse:
- Eu limpo depois. Minha casa ficou perfumada e eu deveria te pagar por isso.
Ela sorri e abre a sua bolsa que tinha pequenas flores coloridas, como se informasse que as suas fragrâncias tinham flores em sua composição.
Nesse momento uma energia estranha entrou dentro de nós. Enquanto o aroma entrava em nossos pulmões, ela e eu começamos a recitar poemas que mal sabíamos de onde vinha. Eu não tinha controle sobre minhas emoções e pensamentos e eu a beijei.
Ela levantou do sofá e correu deixando cair um papel. Ainda assustado, corri para ler o que havia escrito nesse pequeno pedaço de papel, e lá dizia:
''Quando sentimos um cheiro, podemos nos recordar de lugares que já fomos ou que nunca iremos. Esse aroma que lhe deixo é de flor de cerejeira. Ao entrar em contato com o cheiro, você lembrará de mim. Voltarei amanhã no mesmo horário.''
E ela cumpriu o combinado. Passou-se alguns anos e eu descobri o nome daquela energia estranha que entrou dentro de nós naquele dia. Se chamava amor.