Eu só queria ouvir algum barulho. Pessoas falando tanto por aqui, falando sobre coisas de pessoas normais, como casa, trabalho e filhos. E eu era a pessoa diferente daquela multidão, o homem que não tinha nada para falar, o homem que parecia não ter identidade, o homem que não parecia ter uma história.
Era o primeiro dia desta semana que eu quis sair de casa. Não gostava de sair de casa, porque o ato de sair de casa, me deixava vulnerável. Abandonara meu café da tarde, um momento tão importante e particular, para caminhar pelas ruas, como se fosse uma criatura normal, alienada, indo para algum lugar gastar todo dinheiro e sair feliz como um bom consumista humano, vivendo para consumir e consumir ainda mais. Parei em um banco de uma praça, e ali, me mantive calado até um certo período, até que uma garotinha de cabelos escuros e com óculos de fundo de garrafa, aparentando ter uns três anos de idade, veio até a mim e meu deu uma flor, para ser mais preciso, uma margarida. Eu a agradeci e ela saiu correndo. Eu fiquei olhando e analisando a flor, tocava em suas pétalas, olhava para pequena menina correndo, seus pulos eram rápidos, altos e intensos. Parecia uma atleta olímpica, se tivesse alguma categoria para três anos de idade. Se ela começasse a voar ali, não iria ser nenhuma novidade.
É, talvez a humanidade ainda seja um pouco boa.
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terça-feira, 17 de novembro de 2015
Uma praça que era cinza
quarta-feira, 4 de novembro de 2015
Eu, meu vizinho e nossas janelas
Os meus olhos ficam turvos,
mas isso é tão fascinante. Não paro de olhar a minha janela. Deito sobre minha cama e lá conto tantas histórias e números, até meus olhos ficarem turvos novamente. Essa luz de fim de tarde misturada com uma leve brisa que fazem meus cabelos voarem agitadamente por um momento e que clareia de leve meu quarto que contém alguns pontos escuros, pois já não é tão dia quanto é pela manhã, é uma conexão não tecnológica que faço com o meu vizinho. Abrimos janelas juntos, fechamos janelas juntos, olhamos um pouco nosso quintal, que outrora poderia ser o mundo inteiro, deixamos as brisas baterem no nosso rosto e saímos dali, muitas vezes com uma certa pressa, mesmo não tendo nada pra fazer, mas tentando procurar algo para ter o que fazer. Talvez esse, seja nosso tipo de diálogo diário, não verbal, nosso jeito mais particular de contar um para o outro que estamos vivendo e sentindo os efeitos daquela mesma luz.