As lágrimas salgadas sentidas nessa ocasião seriam de uma imensa alegria. Salgadas, porque eu tinha provado e elas eram realmente salgadas, porém, posso estar enganado, talvez eram doces. Nunca fui bom em sentir paladar. Sempre fui rebelde e cruel, mas as lágrimas não deixavam de rolar sobre meu rosto, como acontece nas pessoas aparentemente normais. Na minha cabeça, todos me odiavam, até mesmo eu me odiava. A liberdade era uma coisa tão fácil de se conseguir, dizem alguns amigos meus, esses daí da rotina. Eles saíam de casa e voavam sem sair do chão... Eu? Eu não sei o que é isso. Já tentei, tentei, mas não tive sorte em consegui-la. Tão fácil, tão difícil e calada.
A rebeldia não tinhas forças para bater de frente, com a cara lavada de manhã com a liberdade. Ela sempre se maquiava, passava o máximo de maquiagem possível, se enchia de roupas escuras, se iludia. Aos poucos fui me desfigurando, sem pressa, aguardando a rebeldia ir morrendo aos poucos, e a ousadia se manifestar em mim.
Nove dias depois, brevemente conheci a liberdade, a libertadora. Batemos papo, viramos amigos, contamos sobre nossas vidas, jantamos, casamos e não vimos nada do que já tínhamos visto antes.
Translate
Translate
quarta-feira, 23 de setembro de 2015
Anteontem, atrás da minha porta
sábado, 5 de setembro de 2015
Nada, como sempre
Talvez você saiba que um raio de realismo em nossas cabeças seria uma coisa boa. Seria bom mesmo se nós tivéssemos uma ligação direta e indiscreta dos nossos sonhos com a realidade. Viver sonhando pode ser como cair num abismo, nos batendo e gritando e nunca chegando ao fim, porque nunca terá um fim.
Conheci pessoas que contei como pessoas que levaria para sempre, e o sempre durou até quando o tal sempre realmente chegou ao fim. Foi tão efêmero e insólito. Não sabia e nem contava que os sempres tinham fim. Sempre é sempre, sem fim, ora bolas. Sempre tem fim sim. Eventualmente, o sempre acaba. Como em uma tarde chuvosa com raios de sol, ou qualquer outro dia. Que luto eterno depois dessa descoberta.
Conhecerei pessoas que falarei que irei levá-las para sempre. Essa seria minha vontade. Minha. Elas correm do sempre, eu acho.
Sempre é forte, é assustador para alguns. É como uma intransigência, não sei dizer.
As pessoas são tão legais, tão soltas, parecendo disponíveis, andando com suas perninhas para lá e para cá, pelas noites e dias inteiros. Elas poderiam ser legais, pode até ser que elas sejam, porém, talvez não. Não sei ao certo, não sei se tem alguma coisa certa.
O que eu quero para amanhã é tudo, e o que o amanhã pode fazer por mim talvez seja nada. E eu continuo assim, carregando a vida sempre nas costas sem perceber.