Os grandes tropeços de uma noite regada por um vazio. Vazios que poderiam ser chamados de solidão.
Um individualista, em um quarto escuro sem música e cheiro de terra molhada sem chuva. Eu queria ser a vítima, queria sofrer, queria imaginar você raciocinando meus sofrimentos e tentando enxugar as lágrimas que escorriam pelas suas bochechas e logo ia de encontro ao solo.
O que mais me pertuba e conforta é saber que você estivesse pensando em mim no momento em que eu quisesse esquecer você. Os bilhetes rasgados e queimados num ato tão fútil e rápido diferentemente do tempo em que passamos nos escrevendo com letras felizes um ao outro, em um gesto de amor, de precisão e de ódio amado.
Aquela noite tinha que ser mais uma, somente mais uma com mágoas e algumas felicidades mas tornou-se indiferente quando surgiu aquele vazio. Eu apreciava os riscos e sempre parava nos abismos das madrugadas, foram inúmeros copos com bebidas que me faziam rir e chorar em frações de segundos. Eu brindava com mesas, paredes e cadeiras que poderiam ser pessoas felizes em grandes festas, porém eles eram somente objetos sem expressões. Eles me ouviam mas não davam opiniões, eu estava sempre certo.
Todos podem contar de seus amores e conhecimentos pelas noites e madrugadas. Continuo individualista, entre bebidas e atuações, sou a eterna vítima de minha própia mente.
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sábado, 9 de maio de 2015
O indelicado
quinta-feira, 7 de maio de 2015
Andando pelo meio-fio numa quarta-feira
Alguns dias atrás, talvez semanas, caminhei pelas avenidas, atravessei ruas e apreciei os belos seres que sorriam, meio amendrontados com o próximo caminho onde os seus pés pareciam ter passado algum dia. Para esses pés, nada parece novidade, frescor, algo não visto.
Pessoas por todos os lados, de todas as cores e formatos, choram e sorriam, choram e com sorriso tornam a chorar... Algumas em grupo, outras procurando um grupo. Eu me sentia capaz de atravessar paredes, pois parecia um ninguém, um alguém que ainda não teve a capacidade de nascer, mas que tinha o incrível poder de ter a melhor observação, capacidade de enxergar, reconhecer pessoas e gravar nomes, idades e vozes. Colecionar estórias.
Aqueles mesmos ambientes com seres humanos e almas, conhecidas como fantasmas, tudo completamente diferente e desconhecido. As casas fechadas e abertas, as flores mortas e vivas, aqueles entulhos no chão, rolando entre seus pés sem você olhar. Os entulhos que puderam ser algo de grande significado por algumas datas ou anos, hoje são só... Entulhos.
Aquelas bolsas com memórias sem cérebros, carregadas nos seus ombros, braços e mãos calejadas ou delicadas podem conhecer melhor a sua vida que você. Sim, você que atravessa horizontes e verticais de qualquer jardim, rua, país e que desconhece o fato de que seus objetos sabem mais de sua vida que você. Não os pergunte. Não terás respostas, mas sim, reflexões.
Entre aqueles ares que nos cercam, algum mistério misturado com felicidade que toda juventude nos traz, com uma certa conformidade de que tudo será eterno até o fim de duração .