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sábado, 9 de maio de 2015

O indelicado

  Os grandes tropeços de uma noite regada por um vazio. Vazios que poderiam ser chamados de solidão.
  Um individualista, em um quarto escuro sem música e cheiro de terra molhada sem chuva. Eu queria ser a vítima, queria sofrer, queria imaginar você raciocinando meus sofrimentos e tentando enxugar as lágrimas que escorriam pelas suas bochechas e logo ia de encontro ao solo.
  O que mais me pertuba e conforta é saber que você estivesse pensando em mim no momento em que eu quisesse esquecer você. Os bilhetes rasgados e queimados num ato tão fútil e rápido diferentemente do tempo em que passamos nos escrevendo com letras felizes um ao outro, em um gesto de amor, de precisão e de ódio amado.
  Aquela noite tinha que ser mais uma, somente mais uma com mágoas e algumas felicidades mas tornou-se indiferente quando surgiu aquele vazio. Eu apreciava os riscos e sempre parava nos abismos das madrugadas, foram inúmeros copos com bebidas que me faziam rir e chorar em frações de segundos. Eu brindava com mesas, paredes e cadeiras que poderiam ser pessoas felizes em grandes festas, porém eles eram somente objetos sem expressões. Eles me ouviam mas não davam opiniões, eu estava sempre certo.
  Todos podem contar de seus amores e conhecimentos pelas noites e madrugadas. Continuo individualista, entre bebidas e atuações, sou a eterna vítima de minha própia mente.

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