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sábado, 20 de junho de 2015

Entre 15 e 90

  Já eram três e meia quando o propietário da casa chega em movimentos rápidos em direção a geladeira. Ele olha, olha mais uma vez para cima, torna a olhar para baixo e mesmo com todos os produtos que um ser humano qualquer ficaria safisfeito em saciar, o homem não encontrara nada naquele momento. Rapidamente, ele fecha a porta da geladeira e vai caminhando para a copa da casa. Lá continha uma mesa de madeira deixada por seus ancestrais há anos, e que passava de geração a geração. Em cima dessa mesa havia um papel branco com alguns rabiscos de caneta preta e uma frase: "Me busque às 4. Beijos, Lúcia".
  Sem olhar o relógio, pois tinha plena convicção do horário dos seus atos, ele corre sem olhar para trás.
  Lúcia, 30 anos, advogada renomada e viajante profissional, tinha mais uma vez ido ao exterior resolver alguns problemas pendentes. Era namorada do recatado indivíduo desde do dia que aprendeu a sair sozinha pela ruas do Brasil. Era bonita de se ver, usava roupas formais e não sorria muito. Talvez ela pudesse ter uma demasiada tristeza por dentro, algo que a fazia diferente de outras pessoas que tiveram grandes chances e expectativas na vida como ela.
  O homem foi ao encontro com Lúcia. Quando a olhou, sorriu e a abraçou tão forte que aparentemente fez com que a suposta tristeza da mulher tivesse ido embora.
  Pelo caminho de volta para casa, Lúcia ganhou flores tiradas de várias casas da vizinhança, pelo homem que não saberia mais onde esconder o seu própio sorriso. Ao chegar em casa, ela foi pedida em casamento e sem pensar respondeu que sim.
  Casaram, tiveram filhos, compraram casas, viajaram, fizeram amor, dançaram, ouviram músicas, choraram, escreveram cartas, enviaram cartas, e outras coisas de casais normais.
  Ao final da vida de Lúcia, o principal motivo de sua aparentável tristeza, escondida por falsos sorrisos foi revelada: Ela tinha medo de não ser feliz. Depois de olhar as figuras de rostos felizes em seus álbuns de fotos, a mulher deu um longo e sincero sorriso e isso era tudo que ela precisava enxergar. Sua posição e estória no meio de tantas pessoas, no meio do nada, no meio do mundo.

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