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quinta-feira, 21 de abril de 2016

Noite dos nostálgicos

E a escuridão entre pequenas luzes,
E os meus dedos pelo ar.
Meus olhos atentos,
Os meus e os seus e os nossos,
E em cada momento, sou eu e o vento.
Seus olhos estão atentos,
E os meus são fugitivos.
E em cada pequena claridade, pode-se notar,
Que os meus dedos estão pelo ar.
E os seus também estão.
E que seus olhos são fugitivos.
E que em cada momento, é só você e o vento.
Em outros momentos, é só eu, você e o vento,
E em outros e outros, é só eu e você.

quinta-feira, 10 de março de 2016

Do seu lado há um espaço

As coisas são tão retas.
Vozes dizem.
Talvez reto seja seu olhar, feito um corredor repetitivo.
Olhando vertical, sem piscar.
Há um mundo de janelas bem abertas ao seu lado, e atrás também.
Não digo que tem flores, pois pode ser somente concreto.
Mas, se você tiver a sorte de encontrar flores na cidade...
Tenta olhar.
Não é inédito.
É um pouco estranho.
É rápido e satisfatório.
Tem vida.
As vezes fica escuro em uma parte da claridade,
Mas com a intensidade maior da luz,
A claridade iluminará todos e tudo pela frente, atrás e pelos lados.
Tenta olhar...
Gire.
É legal,
É estranho,
As vezes não tem concreto.
Tem vida.

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2016

Tudo quase sempre ou nada

Parece que tudo é tão igual
Os ponteiros que se movem e trocam os minutos sem nós percebemos.
Talvez não queremos perceber.
Estamos lado a lado e olha! Está chovendo em você, e em mim não.
Nuvens cinzas.
Os carros que passam a todo momento na estrada, feito formigas caçadoras,
O sol que frita metade do mundo...
Eu vejo azul, você enxerga violeta.
Parece que tudo é tão igual.
Corações são realmente vermelhos.
Alguns planetas cabem na minha minha pequena mão.
Minha fantasia infantil.
Parece que tudo é tão igual,
O céu é azul e infinito, o infinito pode ser um eterno azul.
O dicionário contém palavras que você nunca ouvirá alguem falar, e essas não sairão por aí a gritar nas ruas para que você as reconheça.
Na Rússia, as minhas palavras contém fumaças.
Enxergando o planeta Terra na lua, eu estou de pernas pro ar, com um copo d'agua em minha mão.
Parece que tudo é tão igual,
Parece, mas somente as vezes ou simplesmente sempre, nunca é.

domingo, 14 de fevereiro de 2016

Poeiras encantadas

Não vejo o ar livre desde ontem.
Meu teto tem estrelas,
As flores do jardim não querem ver mais pessoas,
Tamanho desencanto.
Minhas pernas estão a andar,
Passo meus dedos pelos quadros da casa e pelos meus olhos,
Minhas janelas se recusam a serem abertas.
Poeiras caem feito brilhantes ao entrar em contato com a luz solar, esta que brigou com grande insistência contra a minha escuridão e conseguiu entrar.
Meu teto tem estrelas,
Meus dias são comandados por ponteiros.
Eu sou imperceptível.
E não me importa mais a minha pontualidade e meus atrasos,
As meninas nas passarelas das ruas,
As poeiras encantadas de minha casa.
Eu era imperceptível.

terça-feira, 26 de janeiro de 2016

As colheres das xícaras

  E a colher da xícara parecia quase cair todos os dias. Isso me dava agonia. Eu passava as manhãs a observar isso na minha mesa. Pareciam colocar a colher na pontinha, só de propósito, como uma espécie de entretenimento infeliz.
  Lila, minha irmã, passava com seu vestido vermelho e brilhante que queimava os olhos de qualquer ser com sinais vitais perfeitamente ativados; Joaquim, amigo de Lila, parecia estar apaixonado por ela. Não sei como aguentava olhar tanto para ela, porque consequentemente, quando ele a olhava, seus olhos iam de encontro com o vestido sangue misturado com purpurinas.
  Algumas vezes eu ensaiava sair de minha cadeira e segurar a tal colher que estava prestes a cair, mas eu sabia que ela nunca cairia e minha pernas também sabiam corretamente o que eu estava pensando e não esboçavam reação.
  E todos os dias do ano se passaram, Lila com seus vestidos-fantasia, Joaquim abobalhado e admirando esses infinitos arco-íris de minha irmã, e eu sentado olhando a colher que nunca caia da xícara. Minha mãe sempre com sua barriga encostada na pia lavando tantas louças que pela quantidade parecia ter ali todas as louças do mundo. Meu pai com seu pequeno chapeu preto em sua pequena cabeça continuava a ler o jornal por tantas e tantas horas que parecia ter ali a mesma notícia todos os dias. E eu ali sentado, feito um alienígena perdido na Terra dos humanos, arriscando falar a lingua desse novo e diferente mundo, sem saber.
  No primeiro dia do outro ano, as coisas ficaram diferentes. Muito diferentes. Joaquim começou a usar ternos coloridos e Lila, roupas pretas, pois estava de luto, nosso digníssimo pai tinha levado um tiro e morrido no dia anterior; Minha mãe fugiu para o interior com seu papagaio, com medo de represálias; A colher da xícara caiu e antes de que ela encostasse no chão, eu a peguei; Lila e Joaquim romperam seu pseudo romance sem ter se quer começado, Lila alegou ter alergia a fortes romantismos;
  E eu comecei a ter o difícil pensamento de que quanto mais nós achamos que a rotina nunca vai mudar, ela acaba mudando. E mudando tão bruscamente...

quarta-feira, 13 de janeiro de 2016

Uma das conformidades virais

Percebe-se que tudo há um limite.
E onde está esse limite?
Em veículos comunicativos?
Ou em sua pequena grande mentalidade cotidiana?
Há tantas coisas que eu gostaria de lhe contar.
Não, não tenho coragem.
O limite não permite.
O tempo corre tanto, mas não pegará nenhum trem;
Nós corremos tanto para chegar em um dia em que iremos nos falar com as mãos nos dois bolsos da calça: "É o fim."
Estamos nos dando um fim?
O limite tem limites?
Limitados, nos auto condenamos.
Somos sempre tolos e incorrigíveis.