Ando com uma profunda impressão de que existem dias em que o sol está mais claro e a lua mais escura. Ás vezes, eles trocam de luminosidade como se tivessem um diálogo sentados numa mesa de uma praça qualquer, essas da vida.
A estrada não está mais reta, agora tem curvas. A vida tem estradas. As estradas,como sempre estão tendo finais e começos e... meios. Sim, os meios. Eles podem fazer voltarmos pro começo ou corrermos para o fim.
O vento passa gelado entre nós enquanto estamos no meio da estrada. Fechamos os olhos para capturar as mais profundas escolhas para essa caminhada. Pessoas diferentes aparecem deixando pistas ou destruindo nossos mapas imaginários... Como eu disse, podemos voltar pro começo estando no meio ou quase no fim.
Encontramos uma rota e a seguimos como se já tivemos o mais íncrivel privilégio de conversar com ela em algum lugar. Somos tão íntimos que chego a me perguntar: ''Nasci com você ou te achei perdida?''
De qualquer forma, espaço e acepção, o importante é que eu lhe tenho e andarei pelas ruas procurando o final sem urgência.
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sábado, 13 de dezembro de 2014
As rotas e incertezas
domingo, 23 de novembro de 2014
Reminiscências
Estou sentado. Em um lugar visivelmente limpo.
Quem trabalha hoje? Pouco provável que seja eu.
Mas... Parte de mim trabalha. Eu,continuo sentado.
Viajo, viajo... Sem tirar os pés do chão.
Pronto, tirei. Mas foi para colocá-los em uma cadeira.
Viajo,viajo... Olhos abertos e fechados.
Respiro. Depois fico em uma longo tempo sem respirar.
Com a garantia de que não morrerei.
Quem sou eu agora? Eu não me lembro. Só me lembro de um pequeno menino correndo pela sala, enquanto os pais conversavam sobre finanças e suas relações... Perda de tempo, nada se concretizava, por tudo se brigava.
O sol, mais claro que o normal. Ardia os olhos.
Os pés no chão. A areia entrava entre os dedos dele.
Paredes riscadas por canetas coloridas, azul era a mais bonita.
Zumbido de moscas e mosquitos no meu ouvido.
A porta da sala, abria e fechava.
Ele corria, outros momentos, caminhava.
''Pressa do que, menino?'' Minha mãe dizia.
Meu pai, só observava.
A juventude passava.
A velhice se aproximava.
Acordo e nela estou.
segunda-feira, 3 de novembro de 2014
3 de novembro
Era uma manhã qualquer. Abro os olhos e respiro fundo. Por um determinado segundo, tenho uma crise de perda de identidade. Era como se eu não acreditasse que eu era uma pessoa como as outras que nós vemos por aí em todas as ruas.
Olho para cima como um aclive, vejo uma imensidão branca, meio marfim, estranha. Uma pequena luz saia de um pedaço grande de pano em uma parede que estava na minha frente, meus olhos correram para lá imediatamente como um alerta de desespero, sem está desesperada.
Meus olhos voltam para cima, decido encostar minha mão em um lugar macio onde eu estava deitada. Passo minhas mãos por algum objeto, mas não olho para ver o que é. Poderia ser algum animal, algum dinheiro, algum livro, qualquer coisa. Mas sinto que tenho uma certa dificuldade em olhar para isso.
Continuo olhando para cima, sem parar. Poderia ter passado 24 horas, eu realmente não sabia e não poderia entender. Se eu quisesse entender, buscaria respostas mas decidi esquecer esse assunto.
Decido dá um salto. Eu não decidi nada, meu corpo decidiu. Meus sinais vitais vão junto dele até um corredor com quadros coloridos pintados por pessoas diferentes. Meu corpo quis parar em frente a um quadro com dois coqueiros, suas folhas estavam queimadas pelo sol. Era triste e com grandes detalhes. Queria poder regar aqueles coqueiros, mas era um quadro. Dou risada do pensamento medíocre, volto a caminhar.
Caminho pelo chão e vejo um vulto escuro toda vez que eu passo. Parecia um buraco, mas isso não me deixava cair em nenhum momento.
Abro uma porta, entro e tenho um choque dentro de minha cabeça. Uma parede tinha uma pessoa que me imitava. Eu sorria e ela também. Eu piscava e ela também. Eu disse ''oi'' e ela... Ela era eu.
sexta-feira, 12 de setembro de 2014
Conversa de psicólogo
Das coisas que mais me atraem, estão as pessoas e o que elas pensam. Poderia ser uma perda de tempo? Sim, poderia. Mas perdemos temos com tantas outras coisas que fazemos sem prazer... Uma a mais, uma a menos, não seria inadimissível.
Sou humana, tenho que errar. As vezes errar chega a beira de uma arte, outras, burrice. Em qualquer circunstância, arriscamos sem saber o grau de risco da cuja arte que também poderia ser burrice.
Certas histórias são quase enigmas para decifrar. E nós, os humanos conseguimos fazer isso melhor do que outros seres. Deveríamos aplaudir quando conseguimos alguma coisa que pensamos que fosse difícil até antes de consegui-la. Ficaríamos com fama de loucos, mas não tentaríamos fazer com que isso seja, uma realidade próxima de nós. Ouço dizer para não levar nada tão a sério. Não levaremos nossas tecnologias e outros pertences para dentro do nosso futuro túmulo. Mas se restasse os pensamentos, esses sim nós poderíamos guardar para sempre, ao menos que você caia e bata a cabeça no chão. Porém, mesmo assim você corre o risco de lembrar de algo, alguns anos distantes da vida de agora.
Já perceberam que nenhum dia é igual a outro? Ninguém nunca fala as mesmas coisas e faz os mesmos atos no mesmo segundo, minuto, hora do dia anterior. Alguns tentaram, outros fingiram conseguir.
De qualquer forma, eu tenho certeza de que nunca entenderei esses ''malucos'', identificados como seres humanos.
quinta-feira, 11 de setembro de 2014
Flor de cerejeira/cherry blossom
Era só mais uma tarde com sol entre nuvens. Eu estava sentado em uma cadeira de balanço da minha avó, que deixara para mim desde sua morte. Com o impulso dos meus pés a cadeira balançava para cá e para lá e quando parava, eu retornava a fazer a mesma coisa até que a cadeira balançasse mais uma vez.
As minhas pálpebras caíam e eu não conseguia impedir. Teria mais um sono profundo sem sonhos e pesadelos, mas nesse momento eu escutei uma voz, mas não sabia se era realidade ou delírio.
Abri os olhos e esperei a voz falar algo novamente. Passou-se três minutos em um silêncio esperançoso. A voz se calou. Deveria ser um sonho ou talvez um pesadelo.
Voltei a fechar os olhos e respirei fundo, alguns minutos se passaram e a voz me chamou outra vez. Dessa vez eu pude ouvir claramente. Era uma voz doce e calma de uma menina, talvez uma mulher.
Decidi me levantar e sem piscar os olhos,fui até a porta. Quando eu abri, lá estava a figura de uma garota que aparentava ter saído da adolescência. Ela tinha um vestido azul que brilhava sem ter nenhum brilho. Seu cabelo negro e curto caía sobre os olhos verdes.
Ela sorria e dizia:
- Olá senhor,gostaria de comprar alguma fragância?
Enquanto meus pulmões se enchiam de ar, pude sentir uma fragrância de maçã. Na verdade, poderia ser morango. Não conheço muito sobre aromas. Eu estava tão concentrado em tentar descobrir qual era o aroma que estava entrando e saindo de minhas narinas que não sabia formular uma resposta.
Rapidamente lembrei que estava diante de uma menina que tinha me perguntado alguma coisa. E então lhe disse:
- Desculpa,o que você disse?
Ainda sorridente, a menina disse:
- Eu perguntei se o senhor gostaria de comprar alguma fragrância.
Dessa vez, eu não hesitei em dizer:
- Eu não conheço muito sobre fragrâncias,mas fiquei interessado em comprar algum frasco. Você poderia me aguardar? Vou buscar a minha carteira.
Isso foi uma desculpa para que eu fosse até a cozinha e respirar. A menina era diferente, tão diferente e tinha um cheiro tão... Tão agradável. Meus dedos correram sobre a mesa e pelas cadeiras de madeira.
Quando finalmente tomei alguma coragem, voltei até a porta. A menina não estava lá. Tinha deixado aquele cheiro misterioso que me deixava trêmulo sem ter frio.
Ao fechar a porta, ouço novamente uma voz:
- Essa cadeira me lembra a minha avó. Ela tinha uma igual.
Eu estava surpreso que se misturava com um medo espontâneo. Ela estava sentada na cadeira de balanço.
Enquanto eu a via balançando, observava seus pés pequenos encostando no chão e saindo dele. De repente, ela ficou com um ar mais sério e tornou a falar:
- Desculpa. Eu não devia ter entrado na sua casa sem te avisar.
Eu a respondo sorrindo:
- Não se preocupe. E então, quais são os tipos de fragrâncias a senhorita vende?
Ela se levanta devagar e senta no sofá. E então diz com sua voz tão doce quanto sua fragrância:
- Você poderia vim aqui? Eu te mostrarei.
Eu apresso os meus passos como se não tivesse controlando as minhas pernas e sento ao lado dela.
Quando olho bem profundamente nos olhos dela, vejo uma alegria e uma profunda tristeza. Ficamos nos olhando por alguns segundos que pareciam horas e horas, dias e dias. Uma garrafinha cai de sua bolsa e quebra no chão. Ela parecia ter ficado corada e diz:
- Desculpa, senhor. Eu posso limpar isso.
Eu a olho sem saber se dava risada ou se corria para abraça-la. Poderia ser estranho, mas tinha vontade de abraça-la naquele momento. Eu não fiz nenhuma das duas coisas, eu somente disse:
- Eu limpo depois. Minha casa ficou perfumada e eu deveria te pagar por isso.
Ela sorri e abre a sua bolsa que tinha pequenas flores coloridas, como se informasse que as suas fragrâncias tinham flores em sua composição.
Nesse momento uma energia estranha entrou dentro de nós. Enquanto o aroma entrava em nossos pulmões, ela e eu começamos a recitar poemas que mal sabíamos de onde vinha. Eu não tinha controle sobre minhas emoções e pensamentos e eu a beijei.
Ela levantou do sofá e correu deixando cair um papel. Ainda assustado, corri para ler o que havia escrito nesse pequeno pedaço de papel, e lá dizia:
''Quando sentimos um cheiro, podemos nos recordar de lugares que já fomos ou que nunca iremos. Esse aroma que lhe deixo é de flor de cerejeira. Ao entrar em contato com o cheiro, você lembrará de mim. Voltarei amanhã no mesmo horário.''
E ela cumpriu o combinado. Passou-se alguns anos e eu descobri o nome daquela energia estranha que entrou dentro de nós naquele dia. Se chamava amor.
quinta-feira, 31 de julho de 2014
Após a meia-noite (Fotos e Relatos)
Amar?
Em qual ocasião?
As nossas mãos entrelaçadas
caminhando uma caminhada
Outrora infinita,dizem.
Sem fim, sem final.
Aquelas nossas vidas,
Corridas e vividas,
Pensadas, relatadas
Não foram descartadas.
Se nossos amores tiverem fim,
Apenas estarão nas páginas de livros,
Ou nas cabeças humanas.
Momentos...
Beijos dados ao luar,
Despedidas feitas,
Saudade na madrugada.
Pensamentos...
Em que lugar você está agora?
Você poderia estar em qualquer lugar.
Queria que você estivesse pensando em mim.
Se não estiver,
Boa noite.
Erroneamente,
Até amanhã.
Certamente,
Até mais tarde.
terça-feira, 22 de julho de 2014
Grandes momentos em pequenos intervalos de tempo
E como não lembrar do verão? Você ao entrar em contato com a luz da tarde, do seu sorriso e do seu cabelo que ficava com uma cor diferente por conta dos raios de sol. As estações me lembram você, as canções me lembram você. Eu lembro de você dançando junto dos pássaros e borboletas que ali voavam alegres com sua mágica alegria espontânea.
Grandes felicidades por coisas tão simples, como o sol que se misturou com a chuva e se transformou em um dia diferente. Talvez seja tudo imaginação da minha cabeça de apaixonado, que faz de uma simples tarde, um grande dia.
Para finalizar, lhe dou um beijo apaixonado, desses que não darei mais em ninguém.
segunda-feira, 17 de março de 2014
Aquelas nossas despedidas
Despedir de alguém é como se fechasse um vínculo e começasse outro. Despedidas com olhares trocados e fixados. Acenações doloridas, corações apertados,vidas que vão. As vezes para voltar, outras, pra não ver mais.
Assim vão e voltam histórias surpreendentes, amores terminados, amores que se começam. Choros, risadas, pulos, solidões. Estradas são pequenas para tantos pensamentos de pessoas.
Novos caminhos são abertos diariamente sem nós vermos e novos tempos surgem. Quando a despedida volta a ser chegada,traz felicidade ou traz uma saudade.
Pessoas nos trazem beijos e abraços, e nós planejamos uma viagem rumo a nossa nossa nova estória.
segunda-feira, 24 de fevereiro de 2014
Se deixe levar por alguns minutos
Liberdade é algo que podemos conseguir. Sente-se, feche os olhos e permita-se sonhar com qualquer coisa. Deite-se no chão e permita-se sonhar mais alto, ao acordar verá o céu azulado que causará uma tontura em você por alguns segundos. Depois os sonhadores irão rir e lembrarão dos sonhos que sonharam minutos atrás. Vocês vão querer colocar todos os lugares, pessoas e paisagens em sua memoria.
Isso estava escrito em algum lugar que realmente iria acontecer em algum momento em sua vida. Não se preocupe, todos nós temos histórias que não sabemos o começo, porém, vamos lembrá-las ao crescimento de nossa vida. Pode ser que não recordaremos do fim quando ele vim à tona. O presente está nos esperando. Vamos, viva isso.
quinta-feira, 30 de janeiro de 2014
Carta para Felipa
Eu precisava tomar um banho para começar a incrível jornada de reencontrar uma velha amiga, Felipa.
Felipa, linda dos olhos castanhos quase rosados. Como eu poderia esquecer das tardes de chuva com sol e daquele colar que ela sempre usava que tinha pequenas estrelinhas coloridas, quase uma constelação que brilhava em seu pequeno e formoso pescoço.
Para falar a verdade, eu não a vejo desde que mudei de Minas Gerais para São Paulo e eu sinto muito a falta dela. Éramos amigos desde a infância e tudo modificou quando fizemos quinze anos, eu faço aniversário em um dia e ela no outro.
Hoje tenho 30 anos e ao longo desse grandioso caminho sempre precisei de amigos verdadeiros, o que é difícil em uma cidade grande, em que tudo corre,as palavras viram abreviações e siglas.
Nós perdemos contato, talvez ela tenha perdido meu número. Eu espero encontra-la feliz, assim como eu particularmente estou.
Saio de minha casa e vou em direção ao aeroporto. Com muita pressa, consigo voar junto de meus pensamentos que desde o primeiro momento não estavam mais por aqui.
Sinto o cheiro de Minas Gerais como se fosse quinze anos atrás e gosto de tudo que vejo. Nada mudou, nem o ar que eu conheço muito bem. As imagens da juventude passam pela minha indescritível memória.
Chego em Ouro Preto sem explicações sobre onde Felipa esteja morando. Na nossa despedida, ela somente me disse que iria esperar por mim e que a nossa amizade não iria acabar. Com base nisso, decido ir em direção a rua que nós morávamos e paro em frente a antiga ou atual casa que ela talvez ainda residenta e bato três leves palmas.
A casa que era branca,hoje está verde bem clarinho, a cor de dentro de um limão.
Passados dois minutos que eu bati as palmas, veio uma mulher numa cadeira de rodas, cabelos castanhos, pele levemente avermelhada e na boca, três palavras:''Quem é você?''
A mulher vem chegando mais perto do portão e decide abrir. Ao sair para fora em direção a calçada, ela olha para dentro dos meus olhos e esse olhar é reconhecido por mim até debaixo d'agua. Era a Felipa.
Eu levo um susto ao vê-la tão frágil em uma cadeira de rodas e ela chora ao me ver. Nos abraçamos e o motivo dela estar nesse estado foi um terrível acidente em que infelizmente seu pai veio a falecer. Eu o conhecia um pouco, pois ele não morava com a mãe dela.
Felipa nunca teve um namorado e continua com a mesma constelação brilhante em seu pescoço. Ela decide tomar um café comigo em sua cozinha, perfumada por pequenos bolinhos que ela faz para vender e garantir sua renda.
Eu não poderia ficar muito tempo junto dela, pois tinha que voltar para São Paulo por conta do meu trabalho.
Ao me despedir de Felipa mais uma vez, ela sabia que eu não iria me ver mais tão brevemente. Ela pede para eu fechar os olhos e abrir minhas mãos. Ao fazer isso,sinto uma pequena cordinha com pequenos penduricalhos. Abro meus olhos e vejo que era o colar que ela usava desde criança. Ela deu de presente para mim.
Fico minutos emocionado e ela resolve me dar também uma cesta com deliciosos bolinhos.
Antes de partir, eu pergunto para Felipa,se ela lembrava da carta que eu enterrei no fundo do quintal dela. Ela me disse que sim e que jamais tocou na terra novamente.
Ao cruzar a porta de saída,falo para Felipa ler o que estava escrito na carta quando eu saísse. Ela diz que iria ler imediatamente.
Durante a minha caminhada, lembro da carta e sabia que naquele momento,Felipa estaria lendo tudo aquilo que escrevi quinze anos atrás que parecia ter escrito hoje.
De repente lembro que deixei minhas passagens na casa dela e teria que voltar. Depois desse momento,passei a acreditar no tal destino. Meu coração estava apertado e minha mente diz: Volta!
Ando em passos rápidos para cumprir tudo aquilo que estava na carta:''Se eu voltar, nunca mais irei ficar distante de você.''