Joana... Eu não lhe conhecia até você passar. Cabelos e vestido, nariz empinado, rapidez com decisões. Disposta a fazer bater mais forte os corações passageiros pelas ruas e avenidas por onde sua imagem limpa percorre.
Suas pernas ficavam tortas, junto de um tecido com tons leves de marrom, suas pernas balançavam junto do vestido e eles se entendiam entre si. Tu andavas esquisito.
Um dia você cruzava uma avenida em direção a uma casa verde. Eu seguia seus passos como um psicopata apreciando sua vítima, ou como somente um alucinado pelo seu carisma interior, junto de uma certa ignorância pelo olhar de seus olhos, uma falta de viver, vivendo.
Na manhã de 1991, lhe vi mascando um chiclete cor de céu. O mundo estava acabando em seu redor, ao meu redor. Talvez eu já tenha sido atropelado, roubado, sacrificado. Nada mais era apreciável nas ruas, tu vivias para me assolar, desconhecendo esses fatos.
Preciso de um antídoto, você começava a me fazer mal. Necessitava encentar uma nova vida, abrir os olhos para o mundo, enxergar as cores e as minhas sombras. Eu sabia seu nome e não conseguia esquecer. Menina das pernas estranhas, encantamento insistente, uma certa crueldade. E você continua desconhecer minhas admirações por você.
Pensei em lhe dar flores ou joga-las em sua cabeça quando estivesse passando. Esqueça. Tenho tendências a coisas clichês.
Joana... menina tão amável, tão doce, que seria um pecado não olha-la com algum suposto interesse, pois os sintomas que ela causava em mim eram tão vivos e marcantes... Alucinógenos.
Pequenas estrelas saiam de seu corpo. Espere. Não ria, por favor. Eu vejo detalhes, eu vejo razões para relatar momentos como esses.
Te peço para que me note. Estarei andando na rua pela manhã, sorrindo, talvez assoviando.
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quarta-feira, 18 de março de 2015
Verão de 1990
segunda-feira, 9 de março de 2015
Os capítulos da inexistência
Os espaços vazios. Ah, aqueles espaços vazios. Nunca vi uma alma neles. Passei noites observando e realmente não tinha nada. Parecia possuir forças para viver em Marte, Mercúrio ou qualquer um desses planetas. O tempo parecia não passar. O tempo não parecia tempo.
Não tinha cabeças pensantes, não tinha ar. Não tinha alegria que a tirasse dali. Tudo sempre monótono.
Sentava ali às sete da manhã e assim permanecia, até o céu ficar meio arroxeado, brilhante pelas estrelas que pareciam flutuar. Seu olhar não tinha identidade, sua vida era quase descartável ou nem isso.
Não tinha amigos nem pessoas, somente possuia uma cama no meio de uma sala, pessoas normais falariam que era um quarto. E ela sabia que era? Notava-se sutilmente que ela desconhecia essa informação.
Não sentia o sol, não sentia a chuva, não percebia os cheiros. Muito menos sabia que era outono de 1999.
Numa passagem de manhã para tarde, uma folha da árvore do quintal de seu vizinho entra pelas entranhas de sua janela. Ela decide abri-la e sua vida muda para sempre.