Joana... Eu não lhe conhecia até você passar. Cabelos e vestido, nariz empinado, rapidez com decisões. Disposta a fazer bater mais forte os corações passageiros pelas ruas e avenidas por onde sua imagem limpa percorre.
Suas pernas ficavam tortas, junto de um tecido com tons leves de marrom, suas pernas balançavam junto do vestido e eles se entendiam entre si. Tu andavas esquisito.
Um dia você cruzava uma avenida em direção a uma casa verde. Eu seguia seus passos como um psicopata apreciando sua vítima, ou como somente um alucinado pelo seu carisma interior, junto de uma certa ignorância pelo olhar de seus olhos, uma falta de viver, vivendo.
Na manhã de 1991, lhe vi mascando um chiclete cor de céu. O mundo estava acabando em seu redor, ao meu redor. Talvez eu já tenha sido atropelado, roubado, sacrificado. Nada mais era apreciável nas ruas, tu vivias para me assolar, desconhecendo esses fatos.
Preciso de um antídoto, você começava a me fazer mal. Necessitava encentar uma nova vida, abrir os olhos para o mundo, enxergar as cores e as minhas sombras. Eu sabia seu nome e não conseguia esquecer. Menina das pernas estranhas, encantamento insistente, uma certa crueldade. E você continua desconhecer minhas admirações por você.
Pensei em lhe dar flores ou joga-las em sua cabeça quando estivesse passando. Esqueça. Tenho tendências a coisas clichês.
Joana... menina tão amável, tão doce, que seria um pecado não olha-la com algum suposto interesse, pois os sintomas que ela causava em mim eram tão vivos e marcantes... Alucinógenos.
Pequenas estrelas saiam de seu corpo. Espere. Não ria, por favor. Eu vejo detalhes, eu vejo razões para relatar momentos como esses.
Te peço para que me note. Estarei andando na rua pela manhã, sorrindo, talvez assoviando.
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quarta-feira, 18 de março de 2015
Verão de 1990
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