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quinta-feira, 7 de maio de 2015

Andando pelo meio-fio numa quarta-feira

  Alguns dias atrás, talvez semanas, caminhei pelas avenidas, atravessei ruas e apreciei os belos seres que sorriam, meio amendrontados com o próximo caminho onde os seus pés pareciam ter passado algum dia. Para esses pés, nada parece novidade, frescor, algo não visto.
Pessoas por todos os lados, de todas as cores e formatos, choram e sorriam, choram e com sorriso tornam a chorar... Algumas em grupo, outras procurando um grupo. Eu me sentia capaz de atravessar paredes, pois parecia um ninguém, um alguém que ainda não teve a capacidade de nascer, mas que tinha o incrível poder de ter a melhor observação,  capacidade de enxergar, reconhecer pessoas e gravar nomes, idades e vozes. Colecionar estórias.
  Aqueles mesmos ambientes com seres humanos e almas, conhecidas como fantasmas, tudo completamente diferente e desconhecido. As casas fechadas e abertas, as flores mortas e vivas, aqueles entulhos no chão, rolando entre seus pés sem você olhar. Os entulhos que puderam ser algo de grande significado por algumas datas ou anos, hoje são só... Entulhos.
  Aquelas bolsas com memórias sem cérebros, carregadas nos seus ombros, braços e mãos calejadas ou delicadas podem conhecer melhor a sua vida que você. Sim, você que atravessa horizontes e verticais de qualquer jardim, rua, país e que desconhece o fato de que seus objetos sabem mais de sua vida que você. Não os pergunte. Não terás respostas, mas sim, reflexões.
  Entre aqueles ares que nos cercam, algum mistério misturado com felicidade que toda juventude nos traz, com uma certa conformidade de que tudo será eterno até o fim de duração .

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