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segunda-feira, 9 de março de 2015

Os capítulos da inexistência

  Os espaços vazios. Ah, aqueles espaços vazios. Nunca vi uma alma neles. Passei noites observando e realmente não tinha nada. Parecia possuir forças para viver em Marte, Mercúrio ou qualquer um desses planetas. O tempo parecia não passar. O tempo não parecia tempo.
  Não tinha cabeças pensantes, não tinha ar. Não tinha alegria que a tirasse dali. Tudo sempre monótono.
  Sentava ali às sete da manhã e assim permanecia, até o céu ficar meio arroxeado, brilhante pelas estrelas que pareciam flutuar. Seu olhar não tinha identidade, sua vida era quase descartável ou nem isso.
  Não tinha amigos nem pessoas, somente possuia uma cama no meio de uma sala, pessoas normais falariam que era um quarto. E ela sabia que era? Notava-se sutilmente que ela desconhecia essa informação.
  Não sentia o sol, não sentia a chuva, não percebia os cheiros. Muito menos sabia que era outono de 1999.
  Numa passagem de manhã para tarde, uma folha da árvore do quintal de seu vizinho entra pelas entranhas de sua janela. Ela decide abri-la e sua vida muda para sempre.

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